10.9.10

10/09

Sexta-feira, às 6 da manhã, morrendo de sono e sem coragem de levantar da cama, celular toca mais uma vez e eu decido levantar, vou à escola, tento decorar algumas falas pra apresentar um trabalho na última aula. Quando chega a tão esperada hora, eu começo a passar mal, dor de estômago, digo, não gosto de ficar lá com aquele bando de idiota me olhando, eu não suporto ninguém da minha sala, nenhum deles é meu amigo, me sinto mal lá, mas fazer o que, sou obrigado. Saí da escola, vim pra casa e almocei, meu pai saiu e eu fiquei sozinho. Acabei precisando ir na casa de uma amiga minha, Ariela, íamos fazer trabalho para a feira cultural, fui sozinho até a casa dela, isso eram 13:36, por aí. Quando cheguei, todas as garotas que me aguentam na escola já estavam lá, tirando a Ariela que é a dona da casa: Aline, Rafaela, Bárbara, Stella e Erika. Nós combinamos de fazer experiências, mas pra isso, precisávamos de uma ajuda mais experiente, digo, um professor, aí pensamos: Mábio! Ligamos, passamos o endereço pra ele e fizemos o combinado, quando ele chegasse, iria aprimorar nossas idéias e dar umas dicas, é o que ele pretendia, eu já falei um pouco da minha ligação com o Mábio, vocês podem ter uma idéia de como eu fiquei feliz. O primeiro teste que fizemos deu errado, usamos gesso e gelatina em um pedaço de papelão, como não deu certo em vez de jogar fora, eu peguei e comecei a brincar. Quebrei o gesso em pedaços pequenos e misturei na gelatina, melequei minha mão inteira enquanto a Madonna, cachorra da Ariela, tentava comer aquela gelatina com gesso e lambia a minha cara, e o pior, eu não podia me levantar, já que eu só tinha uma mão livre e minha perna esquerda formigava, enquanto a direita doía pra caralho, quando lavei minhas mãos por causa da gelatina, meus dedos ficaram todos vermelhos, parece que tingiu, tá assim até agora, nem sei se vai sair.Tiramos foto da minha mão porque parecia que eu tinha acabado de operar alguém, as meninas gritavam "VITOR, QUE NOJO!" e eu só sabia dar risada, eu sou feliz. Quase 17 hrs, começa a ficar chato lá dentro, então as meninas decidem ir dar uma volta pelo bairro, a gente vai. Vamos até a casa da Stella, que é bem perto dali, a calopsita dela, ou melhor, o Kuro, está perto da porta e é possível ouvir os assobios dele, ela "cumprimenta" o bichinho e ele responde, rimos e voltamos a andar, nada pra fazer, vento um tanto gelado e eu com frio, já que era o único de regata do Ramones e calça jeans. Quase 18:30, digo à elas pra voltarmos pra casa, ficamos logo lá na frente e então eu vejo o carro do Mábio parando em frente da casa do outro lado da rua. Eu sou o único idiota que pula e acena pra ele gritando seu nome bem alto, ele chega e me olha estranho dizendo que eu era mesmo um urso louco. Ele explica algumas coisas pra todo mundo, ajuda, e quando terminamos tudo, ele se senta na mesa e começa a conversar conosco, comemos salgados que o pai da Ariela comprou na padaria e bebemos coca. Um cara de 16 anos, meninas de 15 e 14 anos, e um cara de 30 anos? Só merda. A gente riu pra caralho e zoamos tudo quanto é coisa, eu levantei e fui fuçar a mochila dele, nada diferente do que eu imaginei que tivesse, coisas de professor, papéis e mais papéis, a mochila furada perto do zíper, bem acabada mesmo.
- Mábio, vou te comprar uma mochila nova de aniversário.
- De presente de casamento se você não se importar de me dar logo.
- Como preferir!
Conversamos por muito tempo e logo ele disse que iria embora, só sobrávamos eu e ele na casa da Ariela, achei que já estava abuzando demais de tudo aquilo e disse que ia embora, liguei pro meu pai ir me pegar e então, ele não deixa que eu complete a ligação.
- O que foi? Me dá o telefone Mábio!
- Eu te levo até em casa, aí eu aproveito e conheço onde é!
- Não precisa, cara, valeu mesmo.
- Qual é, eu vou embora também, liga pra sua mãe e diz que eu vou te levar!
- Não man...você vai chegar mais tarde ainda na sua casa.
- Eu perguntei alguma coisa? Eu só disse que vou te levar e falei pra você ligar pra sua mãe. Você só precisa dizer sim ou não.
Eu começo a rir e acabamos sentando denovo pra conversar, nisso, minha mãe aparece lá na frente, nós dois saímos e nos despedimos de todo mundo, eu acho que abracei ele umas 8 vezes.
- Porra, quantos abraços você já me deu?
- Cala boca, você me ama!
Terminei de falar e abracei denovo, ele começou a me amassar enquanto gritava no meio da rua.
- ALGUÉM DÁ UM PETISCO PRA ESSA MURALHA AMBULANTE ME LARGAR?
Ele tirou uma bala de menta do bolso e me deu, quando eu peguei, ele saiu correndo e entrou no carro, mandei dedo de longe e entrei no meu também, minha mãe só ria da gente. Nisso, ele tava na nossa frente com o carro, ligou o pisca-alerta e simplesmente parou no meio da rua, minha mãe xingava ele por ser chato e eu ria da brincadeira, os dois apostaram CORRIDA até a porta da minha casa, até que minha mãe é foda, ela conseguiu ficar na frente, ou ele que deixou com aquele celta todo zuado dele. Só lembro de ter gritado: MEU CARRO CORRE MAIS QUE O SEU! Sei que ele não entendeu isso, mas é uma piadinha interna. Ele respondeu "Não precisa humilhar!" Chegamos em casa, minha mãe o convidou pra entrar, ele negou e foi embora, entramos e eu ainda estava feliz por ter um amigo desse, eu sou sortudo, fala sério!

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