30.7.10

No final das contas tudo se consertou

Você me chamou pra ir na sua casa depois de todo aquele tempo e com vários conselhos daqui, eu decidi ir pra ver o que aconteceria, se iria ser uma merda como antes ou iria tudo voltar ao normal. Eu coloquei uma roupa que sempre uso, aquela calça de couro, a camisa regata, as botas pretas que eu tenho e o cinto, peguei o mp5 e fui. Quando cheguei na frente do seu prédio não lembrava o número do seu apartamento nem seu telefone, tanto tempo sem falar com você tem efeito valeu. Fiquei um tempo pensando e me lembrei, apartamento 3, apertei o interfone e foi sua irmãzinha que atendeu.

- Oi!
- Gigi? É o Vitinho.
- VIHHHHHH? GIUUUU O VIH CHEGOU
- Hey, abre a porta!

A menina mal deixou eu falar e saiu correndo me deixando lá na porta enquanto eu ria da felicidade dela. No fim você apareceu e abriu a porta pra mim, eu entrei e fui andando pelo corredor até chegar na sua porta. Avistei sua irmã de longe, correndo até mim como ela sempre vazia antigamente, eu me abaixei e carreguei ela, quando ela voltou pro chão pegou minha mão e me fez correr com ela. Cheguei na sua porta e você estava com roupa de bailarina, tenso. Me abraçou e disse: Quanto tempo, ein. Você disse isso olhando meu corpo inteiro com um riso de canto de rosto e eu só balancei a cabeça confirmando, abri a porta pra você e pra sua irmã, entrei por último e fechei. Sua mãe veio me cumprimentar, me abraçou por um tempo e como de costume falou do meu cabelo.

- Você deixou crescer mais ainda! Está mais claro! E você está mais bonito aiiiiiinda Vitinho!
- Obrigado! Hahaha, eu fiz mais coisas nele, não está tão claro assim agora.
- Estava com saudades, você sumiu!

Até que você me chamou pra ir pro quarto e fomos, não tinha visto seu pai na cozinha e passei reto por ele, no final fui saber que ele não me chamou pra falar um oi sendo que tinha me visto, mas foda-se então. Entrei no quarto e como de costume eu fui deitar na sua cama, que era um beliche, sua irmã dormia na parte de cima. Só que eu esqueci que eu não era mais baixinho e magrelo, bati a cabeça com tudo na madeira do beliche e tive que praticamente me deitar na cama pra caber lá, já você não, continuava com as perninhas cruzadas e confortável enquanto ria de mim dizendo que teria sérios problemas na coluna quando fosse levantar e você teria que chamar o bombeiro pra me tirar de lá. Enfim, ficamos só conversando lá, eu ouvindo música num fone, sua irmã encostada no meu braço mexendo no meu cinto e no zíper da calça, as vezes mexia nos pelos do meu braço e ficava puxando (A menina é pequena ok, só 10 anos) e você falando falando falando do meu lado. Nunca gostei muito dessas crianças que ficam agarrando, abraçando, apoiando em você, ficam mexendo no seu saco, não é legal, mas eu nem olhei pra menina e deixei ela lá. Você começou a me contar que tinha ido em uma festa com as amigas e o cara que você gostava tava lá, você tinha ido com uma bota enorme e de salto, eu já sabia onde essa história iria terminar e já estava começando a rir. No fim você diz que o salto estava machucando seus pés, tirou as botas pra não doer muito mais, até que o garoto, tal de Lucas, começa a vir até você pra te falar tchau, você desesperada começa a colocar a bota pra levantar e dar um beijo nele, com só uma das botas calçadas você se levanta e simplesmente, PISA NO SEU OUTRO PÉ. Você diz que começou a sangrar e que quase morreu, mas não podia gritar porque ele tava bem na sua cara, mas enquanto você me falava isso, você imitava a cara de dor, e eu já estava quase MIJANDO de rir, mal percebi onde minha mão estava porque tinha que segurar o...né, se não fode e o xixi sai Q. Eu estava quase perdendo o ar já de tanto que eu ria, então você continua contando, que depois que pois as botas, foi subir uma escada e tinha um ralo em frente e você, muito esperta, conseguiu enfiar o salto lá, quebrar ele e arrancar a grade do ralo, mas como se não bastasse você caiu de quatro na escada e fez uma cara de merda. Só lembro que eu quase mijei mesmo, chorei de rir e sua irmã ria da minha risada, e você ria da minha idiotice, passamos uns 40 minutos rindo só disso. Até que sua irmã do nada diz: Vamo brinca de boneca? Eu olho pra ela com uma cara de: Não, por favor, boneca não. Você responde pra brincarmos depois do jantar e eu concordo, enquanto isso eu começo a falar das minhas aventuras por aí e você pergunta: você não é mais virgem? Eu só rio e coloco a mão na cara, balanço a cabeça negando e você abre a boca e fica me olhando com cara de besta por um tempo. Começa a me perguntar disso e eu já pensando: ótimo, ela nunca mais vai parar de falar disso agora. Eu ria da sua curiosidade e você dizia: Porra eu ainda sou BV. Eu brinquei contigo: Quer que eu resolvo isso? Só lembro que fiz um bico e fui chegando perto e você me olhou com olhar de Paola e riu depois. Sua irmã ficava olhando pra mim de um jeito estranho, de 10 palavras que eu dizia, 9 eram palavrão ou putaria. Tentei evitar de falar essas coisas mas depois que percebi, já tinha falado muito mesmo então fui direto. Quando a pizza chegou, sentamos na mesa e comemos, sua mãe conversava comigo perguntando da família e eu respondia sempre num tom divertido, sei que ela riu muito, mas as vezes não prestava atenção porque queria ver a novela. Sua irmã gritava por nada e eu queria mandar ela calar a boca, odeio criança que fica gritando sem motivo. Começamos a conversar sobre medos, você com seu medo/pavor de borboletas é engraçado. Até que você começa: Vitinho, lembra daquele dia em que pegamos uns panos e fomos lá pro quintal, e aí....Eu continuei: Começamos a matar os siriris (Pra quem não sabe, aqueles bichinhos que ficam na luz quando está muito calor). Nós dois rimos e ficamos lembrando do escândalo que foi, grudaram vários no meu cabelo e eu ficava balançando a cabeça pra sair e você só ria. Quando eles perdem as asas viram cupins, e eles andam rápido, FOI TENSO. Eu te obriguei a tirar aquilo da minha cabeça e você tinha nojo porque voavam em você. Sei que passamos aquele dia inteiro matando aqueles bichos e quando acabou, queríamos mais! Dois retardados. Acabamos o jantar e fomos pro quarto dos seus pais. Você me pediu pra brincar de boneca e eu dizia não, você quase implorou e eu concordei, mandei sua irmã ir pegar algumas e ela me volta com umas 15 bonecas. Eu olho com um sorrisinho de: me fudi. Você começa a lembrar de quando me obrigava a brincar e eu era TODAS as bonecas, você e a Gigi eram só uma, eu fazia uma puta história e a gente brincava das 2 da tarde até as 11 e 30 da noite, e nunca conseguíamos terminar as histórias porque eu me empolgava com a imaginação, e você também. Sua irmã chorava quando eu ia embora porque queria brincar mais...Ao lembrar disso tudo me convenci mesmo a brincar, só que antes eu disse: Só com uma condição, pegue o rádio e coloca um CD aí, se não não tem graça. Você não pensou duas vezes e foi, pegou um qualquer e quando colocou, estava tocando tipo, Miley Cyrus e eu: que porra é essa Giulia? Você riu e disse que não queria procurar outro CD. Vinham músicas cada vez mais zuadas, Beyonce e coisas assim. Sinceramente? Eu me sinto um viadinho completo quando vou na sua casa, é tenso. No fim, não conseguimos brincar de porra nenhuma, eu fazia os bonecos comerem as barbies enquanto eu gemia e sua irmã me olhava com cara de paisagem, você ria alto e eu havia me esquecido, sua mãe estava DO LADO do quarto, só fui lembrar disso quando cheguei em casa, fu. Tudo que eu fazia você dava risada e eu desisti de brincar, então eu vejo no chão do quarto, aquelas bolas de praia, que tem aqueles plásticos bem finos e vagabundos sabe, só que eram grandes. Eu peguei as duas e joguei em você e na Gigi, no fim ficou as duas contra mim em uma guerrinha, rimos pra caralho por um bom tempo, até que, a bola da Gigi pega no braço de uma das barbies que estava na cama, ela estava com o braço levantado, a bola é tão vagabunda que estoura. A Gigi olha com aquela cara de choro e começa a gritar: MINHA BOOOOOOOOLA! Você e eu rimos mais ainda e eu digo: Tava demorando pra algo desse tipo acontecer né? Você só concorda com a cabeça enquanto ria, se senta do meu lado na cama e diz que quer vir aqui qualquer dia, queria ver a Gaya (minha cachorra), eu rio e concordo, digo que você pode vir quando quiser que eu vou te buscar na sua casa, como era antes. Depois disso ficamos um tempo sem falar nada, até que você me abraça do nada e diz: Eu senti sua falta. Me sinto culpado por ter te deixado esse tempo todo sozinha. Sei que eu sou seu amigo meio infantil, fazemos o que gostamos de verdade sem ligar pro que os outros acham disso, se nos faz bem, nós fazemos, e com isso rimos o dia todo. Você ficou abraçada comigo por um tempo até que eu levantei e pedi pra você ir pro quintal comigo, você não entende e vai, eu pego duas cadeiras, coloco lá, e ficamos encostados na parede olhando as estrelas. Você apontava quando via as 3 marias enquanto eu falava: ALI TEM OUTRAS, OLHA! Então você brinca: Não aponta que nasce verruga no dedo. Rimos por lembrar disso e eu dobro o dedo e continuo apontando, como eu fazia quando éramos crianças, você sorri e beija meu rosto. Meu celular toca, é minha mãe.

- Filho? Eu já to aqui fora te esperando.
- Já vou descer.
- Agradece aí, viu.
- Tá mãe.

Digo pra você que minha mãe chegou e você repete as palavras que eu tanto gostava de ouvir: MAS JÁ? Eu rio e beijo sua testa, ajudo a levar as cadeiras pra dentro de casa, falo tchau pra todos, inclusive pro seu pai sem graça e só agora que ele me olha com aquela cara de: Que porra é essa que tá com a minha filha. Vou embora rindo e vendo os tchauzinhos que você, Gigi e sua mãe mandavam pra mim. Saio do prédio, entro no carro e vou embora.

2 comentários:

  1. belo texto, euri muito na parte da borboleta e da bola vagabunda UHSUHUAHS

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  2. "Sinceramente? Eu me sinto um viadinho completo quando vou na sua casa, é tenso." okok eu ri
    Naah, texto bacana vit, sérião.

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